domingo, 20 de janeiro de 2013
Café com Leite
Quando se fala de relacionamento, a maioria das pessoas tem dificuldade de assimilar, reconhecer ou até mesmo aceitar que as coisas não estão no seu devido lugar. Ou pior: sabem, mas querem tapar o sol com a peneira. Isso acontece na família, no trabalho, com os amigos. Mas ocorre principalmente no convívio com o(a) parceiro(a), seja no namoro ou até mesmo no casamento.
Ao iniciar um relacionamento com uma pessoa, devemos ter em mente de que levamos conosco uma bagagem. É como se levássemos uma mala com nossos costumes, manias, jeito de ser e de se comportar, sonhos, crenças, limites, pensamentos, defeitos, qualidades e por aí vai. Todo nosso histórico de vida nos acompanha. Disso todos estão fartos de saber. O que muitas vezes não é observado é que a outra pessoa tem a sua bagagem pessoal também. E é justamente por isso que, com toda a certeza, é impossível encontrar alguém que seja 100% igual a nós. Algumas pessoas tem muitos pontos em comum. Outras são completamente opostas entre si. O fato é que, as diferenças existem e temos que nos adaptar a elas. Mesmo porque, a única pessoa no mundo igual a você é você. Você suportaria conviver o resto dos dias da sua vida com "outro você"? Eu tenho a plena convicção de que não. Eu mesmo não suportaria viver ao lado de outro de mim. Vejamos o que está escrito na Bíblia sobre esse assunto:
"Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne."
Gênesis 2:24
Quando lemos esse versículo, muitas vezes nos passa despercebido um grande ensinamento que está implícito. O mais importante aqui é perceber que, na verdade, "pai e mãe" não são apenas nossos pais, nossa família, nossa antiga casa. Mas deixamos de lado a nossa antiga vida, para embarcar em uma nova. Ou seja, devemos analisar bem o que estamos levando dentro de nossas malas e ver o que é realmente necessário. Além disso, "tornar-se uma só carne" com a outra pessoa não se resume apenas ao contato físico, mas sim um consenso de ambas as partes, ou seja, um conhecer o que o outro está levando em sua bagagem individual; o que for bom para ambos, devem preservar e o que não for, descartar. Fazendo isso, os dois estão preparando uma nova mala, que ambos vão carregar.
Mas isso não é uma coisa fácil de se fazer, por isso é necessário cooperação dos dois lados. Abrir mão dos próprios ideais, conceitos e opiniões é uma tarefa bastante difícil, mas com resultados muito compensadores. E falando nisso, não é uma guerra para vencermos hoje e ter a paz para o resto dos dias. É uma luta diária. Mas é como se diz: se é para ter "vida de solteiro", pra quê se relacionar? Quando decidimos ter uma vida a dois, temos de ter a consciência de que teremos novos deveres e novos direitos e, assim, a cada dia construir o relacionamento café com leite.
Gosto dessa analogia porque o café e o leite são bebidas completamente diferentes. Eles tem propriedades diferentes e vem de lugares diferentes. Um é quente, outro frio. Mas quando se unem, formam uma bebida diferente das originais. Perde-se características de um e de outro, mas ganha-se novas. Mas para isso, o café deve abrir mão de sua temperatura, assim como o leite. Deixam de ser quente e frio, para se tornarem homogeneamente mornos. Até a sua cor muda!
Da mesma forma, as duas pessoas devem abrir mão de certas coisas e, juntas, criar novas. Mas isso só acontece quando o orgulho é vencido. Até mesmo porque
"A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda."
Provérbios 16:18
Não queira ser um café amargo ou um leite azedo. Renuncie o que pode fazer mal e saiba apreciar no outro o que pode trazer benefícios. Não deixe que seus relacionamentos acabem em ruína e saiba construir uma vida sólida.
Que haja luz nos seus caminhos!
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